Finanças

Como não terminar seu relacionamento por causa de dinheiro!

Dinheiro é, sem sombra de dúvidas, um dos principais motivos pelos quais casais terminam o casamento ou namoro hoje em dia. Seja pela falta de planejamento ou simplesmente por que ambos possuem objetivos diferentes, o descontrole financeiro leva à grande maioria das discussões dentro (e fora) de casa.

Então, como fazer para não terminar seu relacionamento por causa de dinheiro?

Primeiramente, o dinheiro não deve ser mais tratado como um tabú por nossa sociedade. Falar sobre dinheiro é, sim, muito importante e necessário. Quando a comunicação entre os parceiros é eficiente, fica mais fácil atingir os objetivos e fugir das armadilhas do cartão de crédito e do cheque especial.

Outra coisa que deve ser priorizada é a “individualidade financeira” de cada um. Ambos devem aceitar que apesar de existirem objetivos em comum para um casal como a compra de um apartamento ou de um carro ou até um viagem, também existem vontades e desejos individuais como, por exemplo, comprar bens materiais ou praticar hobbies que exigem gastos, por exemplo, praticar algum esporte.

Respeitando-se essa “individualidade financeira” é possível manter o relacionamento e as finanças saudáveis. Mas como manter essa individualidade e planejar as finanças como casal?

O primeiro passo é cancelar a conta-corrente conjunta e abrir contas de banco individuais, uma para cada um. Se vocês nunca tiveram conta cojunta, melhor ainda. Nunca abram uma conta conjunta. Ela é o maior facilitador para discussões. Como o dinheiro do casal fica concentrado em uma única conta, qualquer gasto “não planejado” por um dos parceiros, como uma bolsa nova, um video-game novo ou simplesmente um gasto maior que o combinado pode incendiar a relação, de uma maneira negativa.

O segundo passo é “abrir o jogo“. Como casal, vocês precisam ser honestos uns com os outros. Revelando quanto vocês ganham, vocês podem começar a se planejar financeiramente, traçando objetivos, metas e prazos realistas. Será que vocês conseguem pagar as parcelas daquele carro zero? Será que conseguem manter o financiamento daquele apartamento de 3 quartos no centro da cidade? Não há como ter certeza e se planejar sem saber qual é o “orçamento” disponível. Muitas casais rompem o relacionamento justamente pois como não fazem ideia de quanto o parceiro ganha, assumem compromissos financeiros que futuramente se apresentam inviáveis. Evite surpresas desagradáveis, abram o jogo. Vocês estão comprometidos um com o outro, então isso não deveria ser um tabú.

O terceiro passo é efetivamente planejar as finanças de acordo com o orçamento disponível.

Para isso, inicialmente vocês devem planilhar todos os gastos mensais como casal, como aluguel ou parcela de financiamento, gasto mensal estimado com água, luz e conta de gás, estimar um orçamento mensal para gastos no mercado com mantimenos e etc.

Agora, suponha que o valor total de todas essas contas seja de R$ 2.000,00. Cada um é responsável por metade, ou seja, cada um deverá desembolsar R$ 1.000,00 para arcar com os gastos comuns. E isso será feito independentemente do quanto cada um ganha com seu trabalho. Mesmo que um dos parceiros ganhe menos que o outro, este deverá pagar metade das contas comuns. Obviamente, caso as receitas de um dos parceiros seja muito menor, será necessário fazer adaptações nesse planejamento, desde que em comum acordo.

Agora que os gastos conjuntos já estão resolvidos, é necessário dividir o dinheiro restante em duas “contas”. Para facilitar o exemplo, vamos supor que ambos ganham R$ 2.000,00 mensalmente e que as contas conjuntas exigem um desembolso de R$ 1.000,00 de cada um, restando também R$ 1.000,00 para cada um.

A primeira conta é a da reserva financeira e de investimentos. Vocês precisarão estabelecer um valor que será separado religiosamente todos os meses, por exemplo, R$ 500,00. Todos os meses esse valor será separado do valor que vocês possuem depois dos gastos conjuntos e, recomendo que, para isso, seja aberta uma conta corrente separada para a qual esse valor será transferido. Atualmente todos bancos oferecem contas digitais livres de taxas, por isso, você não deve ter dificuldades ou gastos extras com isso.

Esse valor será utilizado futuramente para investimentos, seja uma aposentadoria ou a aquisição de um imóvel, por exemplo. E esse dinheiro deve, obrigatóriamente ser a segunda prioridade após resolver a questão dos gastos de sobrevivência como aluguel, mercado e etc. E vocês devem se forçar a economizar algum valor, seja qual for, mesmo que R$ 100,00 por mês, pois é muito fácil arrumar desculpas para não economizar, mas vocês devem ter em mente que sem economizar a investir, vocês não sairão nunca do mesmo lugar.

O valor economizado mensalmente também deve atender aos desejos de ambos e esses desejos devem ser realistas. Por exemplo, o plano é dar entrada em um imóvel dentro de 2 anos? Isso não será realizado se ambos guardam apenas R$ 50,00 por mês. Conversem entre vocês e estabeleçam seus objetivos, prazos e valor economizado mensalmente.

Ao contrário dos gastos de subsistência, aqui os valores não precisam necessariamente ser iguais. Por exemplo, se um dos parceiros ganha R$ 500,00 a mais que o outro, ele pode economizar mais. Não precisa ser necessáriamente os R$ 500,00, mas lembre-se que quanto mais for economizado pelo casal, mais cedo os objetivos de ambos serão alcançados. Vocês devem ser um time trabalhando junto.

A segunda e última conta é a do dinheiro de gastos individuais. Ou seja, a conta da diversão.

Digamos que vocês ganham os R$ 2.000,00 já mensionados, cada um contribui com R$ 1.000,00 paras as contas de casa e economiza R$ 500,00 para investir. Sobram R$ 500,00, certo? Esse valor será gasto por cada um da maneira que bem entender. E para facilitar o controle, esse dinheiro também deve ser enviado para uma conta corrente separada.

Quer comprar uma roupa nova, um sapato ou qualquer coisa? Seja feliz. Se ambos estão contribuindo para as contas e investindo parte do dinheiro regularmente, esse dinheiro que sobra poderá ser gasto com qualquer coisa que vocês queiram e, a melhor parte é que, como esse dinheiro restante é 100% individual, você pode gastar com o que bem entender sem riscos de seu parceiro(a) ficar bravo(a) porque você comprou mais um par de óculos de sol.

Lembre-se que, no entanto, você não tem “obrigação” de gastar esse valor mensalmente. Por exemplo, se você quer comprar um celular novo de R$ 1.000,00 e o seu dinheiro individual é de apenas R$ 500,00 por mês, você deverá gastar menos que R$ 500,00 por mês, para que eventualmente junte dinheiro suficiente para a compra. Você também pode pagar pelo bem parcelado no cartão de crédito, desde que o pagamento seja feito integralmente com esse dinheiro da segunda conta, sem afetar nenhum dos outros orçamentos (gastos conjuntos e conta de investimentos).

Para bens que serão utilizados por ambos, como por exemplo, uma televisão nova, uma lava-louças e etc, vocês podem dividir os gastos entre vocês dois, utilizando o dinheiro desta conta de gastos livres, ou seja, cada uma paga metade, já que ambos farão proveito da nova aquisição.

Conclusão

Em resumo, as finanças como casal devem ser muito bem planejadas para evitar que esse tema seja o motivo de discussões constantes ou até do termino da relação.

Antigamente, falar de dinheiro era um tabú e em geral, a regra era não faze-lo. Entretanto, é exatamente essa atitude que faz com que muitas familias estejam endividadas.

Conversar sobre dinheiro é saudável e muito importante para a manutenção de um relacionamento saudável e duradouro. Somente através de uma conversa franca sobre finanças um casal é capaz de identificar seus objetivos e traçar planos e metas para alcança-los. Aquela viagem de lua de mel no Caribe pode nunca acontecer se vocês não se comunicarem com relação as possibilidades e dificuldades financeiras de cada um.

Além disso, esqueça daquele método antiquado de “receita familiar bruta”. Apesar de vocês serem um casal unido, cada um deve ter responsibilidade e administrar suas próprias finanças. As contas em comum devem ser divididas por igual e o restante deve ser gasto ou investido de forma individual. Isso ajuda a fazer com que a saúde financeira do casal seja uma responsabilidade compartilhada entre os dois e nunca deve ficar a cargo somente de uma pessoa. Esqueça do famoso “é meu marido” ou “é minha esposa” que cuida das finanças lá de casa. Mesmo que um dos dois não goste muito de administrar as finanças, a participação de ambos os membros da família é de extrema importância.

Além disso, dessa forma, você poderá gastar seu dinheiro da “conta da diversão” sem culpa e sem ter de prestar contas ao seu parceiro. Vale lembrar que o dinheiro desta conta do seu marido ou esposa é de total responsabilidade dele(a) e você também não terá direito de palpitar em como o dinheiro dessa conta é gasto.

Nós, do Casal Recomenda, seguimos esses passos e somos felizes em dizer que falar sobre dinheiro nunca foi e nunca será um problema no nosso relacionamento. Muito pelo contrário, falar abertamente sobre dinheiro nos possibilitou realizar diversos sonhos como a compra do nosso primeiro apartamento e até a nossa imigração para o Canadá.